Obra de P.O desaba e assusta moradores da 215 Norte

Um muro de contenção cedeu na manhã deste domingo (02), na Asa Norte. Por volta das 8h30 os moradores da quadra comercial da 215 ouviram o barulho de deslocamento de terra. O canteiro de obras foi tomado e, segundo relatos da vizinhança, até tremores foram sentidos nos prédios vizinhos. Ninguém foi ferido. O local passa por obras que, neste domingo, não estavam em andamento. A estrutura de arrimo circundava o canteiro, uma espécie de depressão no solo do local. A construção ainda recebia seus alicerces.

Apesar do pouco avançado estágio de edificação, moradores da 215 afirmam que o episódio de domingo é uma reincidência, já que, em fevereiro, segundo eles, houve outro desmoronamento. Ao Jornal de Brasília, Fábio Hexsel, 56 anos, relembra o ocorrido. «Essa de hoje [ontem] foi mais forte”, aponta ele, que tem um palpite sobre o motivo do desmoronamento. Eles começaram a tirar mais terra dali durante essa semana e parece que acabaram tirando a da base mesmo, daí enfraqueceu. Dessa vez até umas vigas grandes de sustentação deles caiu”, conta.

Por volta das 8h ele ouviu um barulho muito alto vindo da construção e, quando percebeu o ocorrido, teve receio que o terreno do prédio onde vive também cedesse. «Houve um estronto e o prédio inteiro tremeu. Todo mundo ficou preocupado, desceram várias pessoas do apartamento. Aqui tem muito idoso, então imagina o susto pra eles e para as crianças», rememora. Ele mora com a esposa e filhas no local. Quando aconteceu o deslizamento, sua primeira atitude foi sacar os itens essenciais da família e ligar para o Corpo de Bombeiros. «Ficamos muito inseguros do que poderia acontecer e se o prédio poderia desabar», finaliza.

Foto: Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília

Ainda na noite deste domingo, depois do desabamento, o síndico do prédio, Fred Bastos, reuniu-se com o vice-síndico e outros conselheiros para decidirem qual posicionamento tomar com relação à empresa que está gerindo as obras no local. «Disseram que não aconteceria isso mais, mas aconteceu de novo, então não temos mais confiança neles. A relação ficou estremecida», vaticinou o homem ao JBr. De acordo com ele, peritos da Defesa Civil inspecionaram a estrutura do prédio e confirmaram, na tarde de ontem, que não havia abalado a estrutura do Bloco E, vizinho à construção.

«Disseram que não aconteceria isso mais, mas aconteceu de novo, então não temos mais confiança neles. A relação ficou estremecida», vaticinou o homem ao JBr. De acordo com ele, peritos da Defesa Civil inspecionaram a estrutura do prédio e confirmaram, na tarde de ontem, que não havia abalado a estrutura do Bloco E, vizinho à construção.

«Estamos vendo a possibilidade de contratarmos alguma advocacia para tentarmos manter essa relação [entre o prédio e a construtora] judicialmente», continuou. O conselho do prédio pensa ainda em abrir um boletim de ocorrência sobre o ocorrido. Responsável pela construção do bloco, a Cerejeira Empreendimentos Imobiliários encaminhou nota à imprensa no qual se diz empenhada “para a recomposição do muro”. Além disso, a construtora ressaltou que “não houve danos à vizinhança e nem vítimas”, e atribuiu o episódio ao “excesso de chuvas registrado” nos primeiros meses de 2021.

Apesar disso, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido na quadra comercial – serviço reestabelecido às 16h -, e os tremores foram confirmados por mais pessoas ao longo do dia. Braço do império do ex-governador Paulo Octávio, a empresa foi fundada em 2014 e tem como acionistas o próprio empresário e outro empreendimento dele: a Paulo Octávio Investimentos Imobiliários – esta também dividida entre o político e um CNPJ seu, desta vez da P.O Serviços Imobiliários.

Totalmente vinculadas ao fundador do império, as instituições possuem, juntas, capital social de R$ 541,2 milhões. A comunicação do Grupo Paulo Octávio informou que a única comunicação sobre o tema, até o momento, é a nota da Cerejeira.

Defesa Civil

A Subsecretaria do Sistema de Defesa Civil, vinculada à Secretaria de Segurança Pública (SSP/DF), informa que foi acionada pelo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF) para realizar a vistoria na área citada, neste domingo (2).

Uma equipe de plantão foi encaminhada ao local e constatou que houve deslizamento de terra após a ruptura da cortina de contenção (estrutura de concreto). Uma canalização do sistema de esgoto também foi rompida. A energia foi interrompida. 

Não  foi verificado nenhum risco aparente para os moradores do local e para o prédio ao lado.  Nesta segunda-feira (3), os técnicos da pasta retornarão ao local para nova avaliação. Não foi necessário retirar os moradores do prédio. 
 
O responsável pela edificação foi notificado para apresentar a documentação referente à recuperação da área e das estruturas em contrição.

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Author: Redação Jornal de Brasília

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