Bolsonaro é o nosso Coringa

Bolsonaro é o nosso Coringa

Imaginar que o Brasil poderia um dia ser governado por alguém com a personalidade de um personagem de história em quadrinhos causaria espanto até mesmo no mais viciado dos leitores de gibis. E mais ainda, imaginar que esse personagem fosse o vilão, um homem desequilibrado mentalmente, um sádico, “o bandido”, e não um Super-herói dos que povoaram nossa infância – os realizadores de nossos sonhos por justiça –, seria considerado uma loucura, que somente Dom Quixote seria capaz de cometer. Pois é, quem diria que o Brasil acabaria tendo um presidente que age como o Coringa, o Joker, o mais festejado de todos os vilões HQ, como já mostrou a revista Isto É, em sua capa histórica.

E é chocante porque essa coisa de vilão entrou na moda. Incentivando a onda de crueldade que permeia a humanidade, Hollywood trabalhou para cultuar “os bandidos”, o lado sombrio, o “The dark side”, tornando Joker um homicida simpático, tanto que sua última versão, com Joachim Phoenix, não encontrou patrocinadores. Mesmo assim, essa apologia ao crime ganhou 11 Oscars e o Leão de ouro, em Veneza. A turma de Hollywood inescrupulosa e ávida por lucros começou a espalhar que o Coringa e outros vilões são muitos mais interessantes que os Super-Heróis. Que os Super-heróis perderam a graça. Bom, vilões, como Donald Trump, chegaram ao poder. Eis no que resulta cultuar o Mal.

A onda pegou e chegou ao Brasil. O Brasil captou o “Zeitgeist”, o “Espírito da época”. Cinquenta e sete milhões de brasileiros resolveram colocar na presidência da República um homem como as mesmas características do Joker, o Coringa. O Joker (palhaço) é retratado em suas histórias em quadrinhos, (HQ e filmes), como um psicopata, um gênio do crime, dotado de humor sádico e doentio, que procura destruir, e destrói, em meio a piadas, ironias e risadas de deboche tudo que está ao seu redor, transformando o mundo num inferno. Algo semelhante ao que está fazendo o atual presidente da República, Jair Bolsonaro.

O Coringa trabalha o tempo todo para destruir o mundo e, assim, superar sua dor interior, seu conflito psicológico. Ele até tenta matar milhões de pessoas, em suas ações criminosas. Tenta, mas não consegue. Já aqui, nosso vilão, também chamado vulgarmente de Capitão Cloroquina, tem obtido sucesso. E tudo indica que o número de mortos no Brasil pode chegar a um milhão. Já o número de feridos ultrapassa dezesseis milhões. Sem contar a devastação nas cidades e no campo, provocando desastres reais e naturais, que levarão anos, décadas para ser reparado. Tem ainda uma enorme quantidade de pessoas que está abandonando o país por conta de tanto sofrimento. Nem o Coringa conseguiu isso em seus filmes.

O Coringa é também chamado de “Príncipe palhaço do crime” e “Bobo da corte do genocídio”. Ele é baseado no personagem “Gwinplayne”, do livro O Homem que Ri, de Victor Hugo. Trata-se da história de uma criança, vítima de traficantes, que lhe cortam os dois lados da boca, para dar uma aparência de riso permanente. Um horror do século XIX. Uma das teses principais sobre o porquê do sadismo do Coringa, é que ele botou fogo na casa dos pais, e ocorreu uma explosão de produtos químicos que o deixaram com a pele totalmente branca, o cabelo verde e a boca com uma aparência de riso permanente. Daí seu apelido, Joker. Sequelado psicologicamente, ele quer se vingar da humanidade.

Pois é, do Coringa nós já sabemos a origem de sua maldade, quanto à do Joker que preside o Brasil, não temos informação precisa, muito embora saibamos que ele era conhecido pela extrema agressividade com que tratava seus subalternos, sendo expulso do exército “pela falta de lógica e racionalidade em suas ações”, ou seja, é louco e sádico.

Se alguém me perguntar por que não comparei Bolsonaro com um vilão de Shakespeare, digo que é porque Bolsonaro é muito tacanho, medíocre, não tem a profundidade dos vilões do bardo. Mas dirijo a ele a fala de Shakespeare sobre um de seus mais terríveis vilões, Ricardo III. Diz o Bardo de Stratford: “Este quando nasceu já veio com dentes, nasceu para morder o mundo”.

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Author: Theófilo Silva

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